O mercado de veículos usados no Brasil tem mostrado sinais claros de uma desaceleração na valorização dos preços. Após um período de intensa alta, os números mais recentes indicam que o ritmo de crescimento está diminuindo, marcando o menor avanço trimestral em quase dois anos. Essa mudança reflete uma nova dinâmica no setor, influenciada por fatores como a atividade econômica moderada e o aumento da concorrência entre os veículos novos. A análise detalhada dos preços de carros usados revela uma tendência de normalização, com implicações para compradores e vendedores em todo o país. Especialistas apontam para um cenário mais equilibrado, longe das valorizações expressivas observadas anteriormente, o que redefine as expectativas para o segmento automotivo.
Desaceleração dos preços: um panorama detalhado
O índice de preços de automóveis leves usados, conhecido como IBV Auto, registrou uma alta de apenas 0,36% no terceiro trimestre de 2026. Este resultado representa o menor avanço trimestral desde o primeiro trimestre de 2025, evidenciando uma perda significativa de fôlego no mercado de veículos usados. A cifra contrasta acentuadamente com o crescimento de 1,27% observado no trimestre anterior (abril a junho) e com a valorização de 2,04% registrada no mesmo período de 2025. Comparando os terceiros trimestres na série histórica, o desempenho atual se equipara ao de 2019, reforçando a percepção de uma desaceleração progressiva ao longo do ano.
No que tange aos resultados mensais, setembro apresentou um avanço de 0,30% no índice, revertendo a leve queda de 0,01% registrada em agosto. No acumulado de 2026 até setembro, a alta alcançou 3,86%, um patamar inferior aos 4,05% verificados no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, o ganho permanece em 5,12%, mantendo o nível observado no mês de agosto. Segundo especialistas, "após um período de fortes valorizações, a atividade mais moderada e a maior competição entre veículos novos tornam o cenário menos favorável a reajustes expressivos. O comportamento do IBV no trimestre aponta para uma dinâmica de preços mais equilibrada, com desaceleração gradual das altas dos últimos meses".
Modelos em destaque: altas e quedas no mercado
Apesar da tendência geral de desaceleração, alguns modelos específicos apresentaram movimentos distintos, influenciando o desempenho do índice. No mês de setembro, veículos como o Renault Sandero, com alta de 1,88%, o Volkswagen Gol, que valorizou 1,51%, e o Hyundai Creta, com aumento de 1,39%, estiveram entre os que mais contribuíram positivamente para o crescimento dos preços dos carros usados.
Maiores recuos
Em contrapartida, outros modelos registraram desvalorização no período. A Toyota Hilux SW4 apresentou uma queda de 1,60%, o Honda HR-V recuou 1,19% e o Volkswagen Polo teve uma desvalorização de 0,97%. Essa divergência entre modelos reflete as particularidades de cada segmento e a dinâmica de oferta e demanda que continua a operar no mercado, mesmo em um cenário de moderação geral. A maior oferta e concorrência entre os veículos novos tendem a reduzir a pressão sobre os usados, indicando uma normalização gradual, com variações regionais e por segmento.
O desafio dos veículos eletrificados na revenda
Um aspecto notável do mercado atual é a acentuada desvalorização dos veículos elétricos e híbridos em comparação com seus equivalentes a combustão. Os modelos elétricos lançados em 2023 acumulam uma perda de valor de aproximadamente 47% até setembro de 2026. Já os veículos híbridos registraram uma desvalorização de 27,89%, enquanto os modelos a combustão comparáveis tiveram uma queda de 22,20% no mesmo período. Essa diferença substancial ocorre em um momento de expansão da oferta de veículos eletrificados no Brasil.
A chegada de novas marcas, principalmente do mercado asiático, o aumento da concorrência e os avanços tecnológicos mais rápidos exercem pressão sobre o valor de revenda dos modelos eletrificados mais antigos. Veículos usados neste segmento precisam competir com uma nova geração de carros que frequentemente chega ao mercado com preços mais agressivos, maior autonomia de bateria e recursos tecnológicos aprimorados. A renovação tecnológica em veículos elétricos acontece em um ritmo muito mais intenso do que nos tradicionais, com melhorias constantes em baterias, velocidade de recarga e pacotes tecnológicos, impactando diretamente o valor residual. Esse movimento reflete a pressão contínua sobre os preços dos modelos novos e a intensificação da concorrência, afetando o valor de revenda dos eletrificados no mercado brasileiro.
Variações regionais: um mosaico de comportamentos
A análise dos preços de carros usados também revela um comportamento heterogêneo entre as regiões do país. No terceiro trimestre de 2026, o Nordeste liderou a valorização, com uma alta de 0,69%, seguido pelo Centro-Oeste, com 0,56%, e pelo Sul, que registrou um aumento de 0,52%. Em contraste, o Sudeste, o maior mercado automotivo do Brasil, manteve-se praticamente estável, com uma leve alta de 0,03%, contribuindo para conter o avanço do indicador nacional. A região Norte foi a única a apresentar recuo no trimestre, com queda de 0,19%.
Este cenário regional reforça a perda de tração observada no mercado nacional de carros usados. No segundo trimestre do ano, todas as regiões haviam registrado valorizações superiores a 1%, demonstrando um comportamento mais uniforme de alta. No entanto, entre julho e setembro, apenas Nordeste, Centro-Oeste e Sul mantiveram altas mais relevantes. A estabilidade do Sudeste marca uma mudança significativa e solidifica a percepção de que o mercado de usados está em transição para uma normalização gradual dos preços, após um longo período de valorizações intensas e mais disseminadas geograficamente.
FAQ
<b>O que indica a desaceleração dos preços dos carros usados?</b><br>A desaceleração é indicada pelo menor avanço trimestral do IBV Auto, de 0,36% no terceiro trimestre de 2026, o mais baixo desde o primeiro trimestre de 2025. Isso mostra uma perda de ritmo em comparação com períodos anteriores de maior valorização.
<b>Por que os veículos elétricos desvalorizam mais rapidamente?</b><br>Veículos elétricos desvalorizam mais rapidamente devido à rápida evolução tecnológica, maior concorrência de novas marcas e a constante chegada de modelos mais atualizados com melhores autonomias e recursos, o que impacta o valor de revenda dos carros mais antigos.
<b>Quais regiões do Brasil tiveram maior valorização de carros usados no terceiro trimestre de 2026?</b><br>No terceiro trimestre de 2026, as regiões com maior valorização de carros usados foram o Nordeste (+0,69%), o Centro-Oeste (+0,56%) e o Sul (+0,52%). O Sudeste ficou praticamente estável, e o Norte registrou queda.
Acompanhe as últimas notícias do mercado automotivo e tome decisões informadas sobre sua próxima compra ou venda de veículo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br