A sexta-feira é marcada por uma intrincada teia de fatores econômicos e políticos, com os mercados globais e domésticos reagindo a dados cruciais e expectativas futuras. Nos Estados Unidos, a atenção se volta para a resiliência da economia, mas também para a crescente pressão dos rendimentos dos títulos do Tesouro, que atingiram patamares não vistos desde a crise financeira global, sinalizando persistentes preocupações com a inflação. Paralelamente, no Brasil, investidores digerem pesquisas eleitorais, novos indicadores de inflação e confiança na construção, além de monitorar a agenda do governo. A volatilidade dos preços do petróleo, influenciada por movimentos geopolíticos e por possíveis tréguas, adiciona outra camada de complexidade a um cenário que exige constante acompanhamento e análise detalhada por parte dos agentes de mercado.
Cenário internacional: A cautela dos mercados globais
Índices futuros nos EUA e a escalada dos Treasuries
Os índices futuros dos Estados Unidos registram avanços nesta sexta-feira, em um movimento que tenta contrariar uma sequência de perdas. O Dow Jones Futuro demonstra uma leve alta, mas ainda se encaminha para fechar sua quarta semana consecutiva no vermelho. Essa performance ocorre em meio à significativa pressão dos juros dos Treasuries e à constante volatilidade nos preços do petróleo, fatores que mantêm os investidores em alerta máximo quanto aos riscos inflacionários. O S&P 500 Futuro também opera em terreno positivo no pré-mercado, projetando uma alta de 0,7% para a semana, enquanto o Nasdaq Futuro se destaca com um ganho acumulado de 1,6% no mesmo período. No mercado de renda fixa, o rendimento da Treasury de 10 anos atingiu alarmantes 5,16% na quinta-feira, o patamar mais elevado desde a crise financeira global de 2008, refletindo a profunda preocupação dos participantes do mercado com a persistência da inflação e as futuras decisões de política monetária.
Dinâmica do petróleo e as tensões geopolíticas
Os preços do petróleo registraram um recuo, em um movimento influenciado pelas expectativas de uma possível desescalada nas tensões geopolíticas. Investidores avaliam a possibilidade de uma trégua entre Estados Unidos e Irã, o que poderia levar à reabertura gradual do Estreito de Ormuz – uma via marítima crucial para o transporte de energia. Essa perspectiva de aumento na oferta de energia do Oriente Médio, combinada com a euforia em torno do avanço da inteligência artificial, prevalece, por ora, sobre o impacto da forte alta dos rendimentos dos títulos públicos globais. As negociações para uma saída gradual do conflito, que incluiria a normalização do fluxo comercial de petróleo, são monitoradas de perto, pois têm o potencial de alterar significativamente a dinâmica dos mercados de commodities e, consequentemente, a inflação global.
Wall Street: Resiliência econômica versus juros elevados
Na sessão anterior, os principais índices de Nova York fecharam de forma mista, com uma amplitude limitada. Os investidores iniciaram o dia com quedas generalizadas, mas a tensão diminuiu após o encontro entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, onde foram feitas indicações de colaboração no setor de Inteligência Artificial. Contudo, a persistente alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA continuou a pesar sobre o sentimento. Especialistas apontam que a economia demonstra uma resiliência notável, mas essa força mantém vivas as preocupações com a inflação e impulsiona as taxas de juros para cima. A questão central, segundo analistas, não reside apenas na possibilidade de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve, mas sim por quanto tempo essas taxas permanecerão elevadas e quais serão os efeitos de um Treasury de 10 anos acima de 5% no mercado imobiliário, nos empréstimos corporativos, nos mercados privados e nas avaliações de ações. O Dow Jones fechou em -0,31%, o S&P 500 em -0,02%, e o Nasdaq com +0,01%.
Economia brasileira: Inflação, confiança e panorama político
INCC-M e a desaceleração no setor de construção
No âmbito doméstico, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) registrou uma alta de 0,25% em setembro, um valor significativamente abaixo da taxa de variação de 0,85% observada no mês anterior. Apesar dessa desaceleração mensal, a tendência de aumento nos custos do setor de construção é confirmada pela taxa acumulada em 12 meses, que atingiu 6,61%. Este resultado, entretanto, representa uma moderação quando comparado a setembro de 2025 (sic, should be previous year), quando o índice acumulava uma alta de 7,07% no mesmo período. Complementando o cenário do setor, o Índice de Confiança da Construção (ICST) do FGV IBRE apresentou um recuo de 1,4 ponto em setembro, fixando-se em 90,5 pontos. Em médias móveis trimestrais, o indicador também mostrou uma queda de 0,4 ponto, atingindo 91,6 pontos, sinalizando uma cautela crescente entre os empresários do ramo.
IPCA-15, cenário eleitoral e medidas governamentais
Os mercados nacionais digerem nesta sexta-feira a última pesquisa eleitoral Datafolha e os resultados do IPCA-15 de setembro. O levantamento do Datafolha, divulgado na noite anterior, indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve uma vantagem numérica de dois pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, com ambos os candidatos permanecendo em empate técnico dentro da margem de erro. Paralelamente, os números de inflação estão no radar, com o IBGE divulgando, às 9h, o resultado de setembro do IPCA-15. Pesquisas de mercado apontam expectativas de altas de 0,53% no mês e de 4,30% no acumulado de 12 meses, dados cruciais para a formação das expectativas de juros e para a política monetária. Ainda na agenda nacional, o presidente Lula participa, às 17h, da apresentação de novas medidas de proteção às famílias e à economia popular, buscando reforçar o apoio social e econômico do governo.
Juros futuros (DIs) e o câmbio em destaque
No mercado de juros futuros (DIs), a sessão anterior foi marcada por altas em toda a curva, refletindo as incertezas e as expectativas sobre a inflação e a política monetária brasileira. As taxas de DI para diferentes vencimentos registraram variações positivas: o DI1F27 subiu 0,010 ponto percentual (pp), fechando em 13,565%; o DI1F28 avançou 0,090 pp para 13,675%; o DI1F29 teve alta de 0,085 pp para 13,880%; o DI1F31 subiu 0,060 pp para 14,045%; o DI1F32 aumentou 0,040 pp para 14,090%; o DI1F33 registrou 0,030 pp de alta, atingindo 14,105%; o DI1F34 com 0,020 pp para 14,100%; e o DI1F35 com 0,025 pp para 14,095%. Enquanto isso, o dólar comercial emendou sua segunda alta consecutiva frente ao real, fechando em R$ 5,193 na venda e R$ 5,192 na compra, com mínima de R$ 5,166 e máxima de R$ 5,200. Esse movimento de valorização da moeda norte-americana acompanha a tendência global, com o DXY, índice que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, subindo 0,16%, para 101,26 pontos.
Perspectivas e desafios futuros
O cenário financeiro global e doméstico desta sexta-feira reflete uma complexa interação de forças. A persistência da inflação e o consequente aperto das condições monetárias nos Estados Unidos continuam a ser o principal driver de cautela, impactando os rendimentos dos títulos soberanos e, por extensão, o custo do capital em todo o mundo. No Brasil, embora haja uma desaceleração em alguns indicadores de custo da construção, a inflação ainda é uma preocupação central, moldando as expectativas de juros e a percepção de risco. A dinâmica política, com a divulgação de pesquisas eleitorais, adiciona um elemento de incerteza que os investidores monitoram atentamente. A volatilidade dos preços do petróleo e os desdobramentos geopolíticos globais também permanecem como fatores críticos, capazes de influenciar tanto as pressões inflacionárias quanto o sentimento de mercado. A interconexão desses fatores exige uma análise contínua e adaptativa por parte de todos os participantes do mercado.
Perguntas frequentes
O que impulsionou a alta dos juros dos Treasuries nos EUA?
A alta dos juros dos Treasuries, que atingiram níveis não vistos desde a crise financeira global, foi impulsionada principalmente pela preocupação persistente dos investidores com a inflação nos Estados Unidos e a resiliência da economia, o que sugere a manutenção de uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve por um período prolongado.
Qual a importância do INCC-M e da Confiança da Construção para a economia brasileira?
O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado) mede a variação dos custos da construção, sendo um importante termômetro da pressão inflacionária no setor imobiliário e de infraestrutura. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST) reflete o sentimento dos empresários do setor, indicando expectativas sobre o futuro da atividade econômica e investimentos, ambos cruciais para o panorama macroeconômico do país.
Como a política e a inflação se conectam no cenário econômico nacional?
A política e a inflação estão intrinsecamente conectadas no cenário econômico nacional. Pesquisas eleitorais, como o Datafolha, influenciam as expectativas dos agentes de mercado sobre futuras políticas fiscais e econômicas, o que pode impactar o câmbio e os juros futuros. Por sua vez, a inflação, medida por índices como o IPCA-15, é um fator determinante para a agenda econômica do governo, que busca implementar medidas para proteger as famílias e a economia popular, visando estabilidade e crescimento.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br